Luziele Maria Tapajós, Professora do Departamento de Serviço Social da Universidade de Santa Catarina e Doutoranda da PUC-SP, desenvolve o texto “Pensando tecnologia e sociedade" com o propósito de examinar algumas noções que estão presentes na análise contemporânea sobre a tecnologia nas ciências sociais.
De acordo com ela, a análise da tecnologia é importante para que se reconheça e reflita as características desta sociedade de final de milênio, marcada pelo processo acelerado de globalização econômica, por sofisticadíssimos avanços tecnológicos e, paradoxalmente, pelo recrudescimento da barbárie.
Para tanto, é imperioso uma ação decisiva em discernir e desigualar as características do processo social desencadeado pelas implicações de uma era, denominada pela autora, como info-tele-computocrática, em que passa a valer uma teia complexa de saberes e relações, influenciando o sistema econômico-social.
A autora aponta que, nos estudos contemporâneos mais habituais, não se vê a tecnologia reconhecida como um fato social determinado por fatores políticos e econômicos.
Tem-se, aí, o reconhecimento do esforço teórico desta Professora, uma vez que, ao olhar as tecnologias como produto associado à história da sociedade, ou seja, como um fato inscrito na dinâmica social historicamente construída, supera as vertentes que consideram a tecnologia como um fato independente destes fatores.
Assim, pensar a tecnologia como prática social que envolve aspectos sociais, políticos e culturais, indo de encontro com compreensões meramente consumistas ou imediatas e fragmentadas, não se constitui em tarefa fácil. Representa, pois, um desafio.
Por conseguinte, a autora indica vertentes que tratam sobre a tecnologia, sendo uma delas, aquela que indica a existência da tecnologia e seus artefatos em direta proporção com a inerente necessidade de máquinas e aparatos tecnológicos de estética moderna e absoluta funcionalidade para a vida cotidiana que, cada vez mais, encantam com as possibilidades de ir poupando e auxiliando a vida prática, tornando-se imprescindíveis para o curso da sociedade.
Nesta concepção, a tecnologia é tida como um fato centrado em si mesmo, como resultado científico, que existem independente de nossos desejos, interesse, conhecimento e análise, nada tendo a ver com processos sociais concretos e determinantes.
Apresenta, também, outra visão, em que repousa a compreensão de que o desenvolvimento de qualquer engenho, produto, máquina ou artefato tem diretamente a ver com a reflexão de alguns elementos heterogêneos, entre estes, a especialização técnica, o desenvolvimento científico, o contexto social, os interesses econômicos, a dimensão política.
Ainda outra forma de interpretação, conforme a autora é a consideração de tecnologia como uma rede de atores heterogêneos, que pensa simultaneamente a presença de um ator, cuja atividade é relacionar os elementos heterogêneos das fórmulas e dos artefatos a uma rede que é capaz de redefinir e transformar este dado.
Entre estas matrizes existem semelhanças e diferenças, e é aí que a autora elenca suas considerações, tecendo críticas, contribuindo para a o movimento de construção de novos consensos e dissensos.
Ao tratar sobre as novas tecnologias e a análise da realidade, a Assistente Social fala que vê-se como tendência, entre diversos autores, a utilização do termo “sociedade da informação”. Assim, também se vê um conjunto de idéias que começam a surgir para explicar, justificar ou contradizer as mudanças percebidas na vida social, econômica e política.
Tais idéias estão sempre, segundo ela, vinculadas a uma visão particular de mundo e de sociedade, explicitando análises que são díspares.
Como interpretações recentes às possibilidades tecnológicas, temos a propaganda, defendendo com uma visão pretendida e potencial a virtualização do mundo e positivando novas condições de vida, como a idéia de que o mundo real é virtual. Trata-se, pois, de uma utopia, que está por todos os lados e tem seduzido grande parcela da população.
Buscam, com isso, estruturar o conceito de virtualização, afirmando que é preciso apressar-se na compreensão desta mutação contemporânea visando dela participar.
No propósito de considerar, compreender e explicar esta nova realidade apresenta-se o autor Nicholas Negroponte. O mesmo afirma que para além da sociedade da informação, vivemos o surgimento de uma sociedade que ele define como pós-informacional, onde a vida digital exigirá cada vez menos a presença material e sim a transmissão digital de lugares.
Empenha-se, então, na apologia à “nova condição tecnológica” que estamos sendo levados, paulatinamente, a viver. Este autor tenta provar que a vida digital tem suas vantagens reais e virtuais, que precisam ser reconhecidas e incorporadas sob pena de permanecermos no passado.
A discussão acerca da cibercultura é de relevância, uma vez que podemos perceber que a humanidade está caminhando, a passos largos, para um tipo de sociedade em que não haverá mais barreiras no processo de comunicação. Os integrantes do planeta estão tendo a oportunidade de interagirem entre si de maneira dinâmica e ampla.
Não é mais necessário a comunicação face a face no sentido físico, mas o uso de uma tecnologia que permite a comunicação em tempo real, mas virtual. Perde-se o contato humano, o que faz com que as relações tornem-se cada vez menos significativas e rotineiras.. Os indivíduos perdem a noção de convivência, uma vez que a máquina passa a ser o grande instrumento da manutenção das relações humanas.
A velocidade com que as pessoas tem tido a capacidade de se comunicarem torna tudo mais frenético, de maneira que a virtude paciência torna-se completamente relativa e muitas vezes insignificante. As relações tornam-se cada vez vez menos um processo de troca de experiências, de conhecimento, sendo em muitos casos diálogos superficiais e breves. O grande e diferenciado acesso a qualquer tipo de informação exige uma postura crítica por parte do indivíduo que se utiliza da tecnologia para adquirir conhecimento.Caso não haja essa postura, qualquer tipo de informação pode ser absorvida e o fato real e concreto não ser compreendido em sua totalidade.Cada vez mais as tecnologias tornam-se fonte de conhecimento imediatistas sem que haja fontes seguras e embasadas em estudos concretos.
A questão da pós-modernidade é um fato complexo, uma vez que para entendê-la, faz-se necessário refletir acerca dos processos da modernidade que não foram perpetuados, ou seja, falharam em seus propósitos. A modernidade passa por uma transição que por um lado é radical, já que a revolução tecnológica mudou totalmente as relações humanas, porém ainda somos um mundo com problemas e mazelas que não estão sequer próximos de serem extintos.Essa realidade põe para a pós-modernidade o compromisso de ser uma fase histórica diferente e autêntica, com sua singularidade apresentada de maneira clara e evidente.
Há uma realidade concreta que não pode ser "virtualizada".Dessa forma, os indivíuos não podem perder sua capacidade de criticarem aquilo que lhes é apresentado em seu dia-a-dia, ou seja,as relações humanas não podem ser vistas apenas sob o ponto de vista de quem elabora determinada informação que é exposta por determinada tecnologia.faz-se de suma importância que a sociedade, de forma geral, não perca seu funcionamento real e concreto de fato, sem tornar-se, quase que em sua totalidade, organizada pelos veículos de informação tecnológicos.
As tecnologias foram abordadas já pelo pensador K. Marx. É possível observar o fato de que, desde o século XVIII, a sociedade é estudada como um coletivo que se desenvolve e se estrutura sempre em um processo contínuo, em que seus membros vivem sob a égide do espírito capitalista. As relações baseiam-se no processo de exploração de uma classe sobre a outra, no caso a burguesia e o proletariado, respectivamente.
Não se pode retroceder.Mas também não se pode excluir as questões que surgem a partir dessa revolução tecnológica.O capitalismo mantem-se excluindo milhares de trabalhadores e gerando cada vez mais um abismo entre pobres e ricos. Faz-se imprescindível que a cidadania não seja mera teoria constitucional, mas um fato concreto em que o indivíduo não tenha seus direitos violados por processos que muitas vezes esbarram no limite da liberdade que os países oferem a seus civis.
A discussão acerca da cibercultura é de relevância, uma vez que podemos perceber que a humanidade está caminhando, a passos largos, para um tipo de sociedade em que não haverá mais barreiras no processo de comunicação. Os integrantes do planeta estão tendo a oportunidade de interagirem entre si de maneira dinâmica e ampla.
Não é mais necessário a comunicação face a face no sentido físico, mas o uso de uma tecnologia que permite a comunicação em tempo real, mas virtual. Perde-se o contato humano, o que faz com que as relações tornem-se cada vez menos significativas e rotineiras.. Os indivíduos perdem a noção de convivência, uma vez que a máquina passa a ser o grande instrumento da manutenção das relações humanas.
A velocidade com que as pessoas tem tido a capacidade de se comunicarem torna tudo mais frenético, de maneira que a virtude paciência torna-se completamente relativa e muitas vezes insignificante. As relações tornam-se cada vez vez menos um processo de troca de experiências, de conhecimento, sendo em muitos casos diálogos superficiais e breves. O grande e diferenciado acesso a qualquer tipo de informação exige uma postura crítica por parte do indivíduo que se utiliza da tecnologia para adquirir conhecimento.Caso não haja essa postura, qualquer tipo de informação pode ser absorvida e o fato real e concreto não ser compreendido em sua totalidade.Cada vez mais as tecnologias tornam-se fonte de conhecimento imediatistas sem que haja fontes seguras e embasadas em estudos concretos.
A questão da pós-modernidade é um fato complexo, uma vez que para entendê-la, faz-se necessário refletir acerca dos processos da modernidade que não foram perpetuados, ou seja, falharam em seus propósitos. A modernidade passa por uma transição que por um lado é radical, já que a revolução tecnológica mudou totalmente as relações humanas, porém ainda somos um mundo com problemas e mazelas que não estão sequer próximos de serem extintos.Essa realidade põe para a pós-modernidade o compromisso de ser uma fase histórica diferente e autêntica, com sua singularidade apresentada de maneira clara e evidente.
Há uma realidade concreta que não pode ser "virtualizada".Dessa forma, os indivíuos não podem perder sua capacidade de criticarem aquilo que lhes é apresentado em seu dia-a-dia, ou seja,as relações humanas não podem ser vistas apenas sob o ponto de vista de quem elabora determinada informação que é exposta por determinada tecnologia.faz-se de suma importância que a sociedade, de forma geral, não perca seu funcionamento real e concreto de fato, sem tornar-se, quase que em sua totalidade, organizada pelos veículos de informação tecnológicos.
As tecnologias foram abordadas já pelo pensador K. Marx. É possível observar o fato de que, desde o século XVIII, a sociedade é estudada como um coletivo que se desenvolve e se estrutura sempre em um processo contínuo, em que seus membros vivem sob a égide do espírito capitalista. As relações baseiam-se no processo de exploração de uma classe sobre a outra, no caso a burguesia e o proletariado, respectivamente.
Não se pode retroceder.Mas também não se pode excluir as questões que surgem a partir dessa revolução tecnológica.O capitalismo mantem-se excluindo milhares de trabalhadores e gerando cada vez mais um abismo entre pobres e ricos. Faz-se imprescindível que a cidadania não seja mera teoria constitucional, mas um fato concreto em que o indivíduo não tenha seus direitos violados por processos que muitas vezes esbarram no limite da liberdade que os países oferem a seus civis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário